Reflexões e registros de José Sardella pelos ambientes da CASACOR São Paulo 2026
Autor: Por José Sardella / Curadoria Trabucco
Vivemos sob a vertigem das telas frias e de algoritmos que insistem em acelerar nosso olhar. Mas onde repousa a alma quando o mundo não desacelera?
Ao percorrer os espaços e debates da CASACOR São Paulo 2026, sob a provocação temática de Mente e Coração, uma constatação límpida se impôs: a arquitetura e o design contemporâneos estão proclamando um retorno urgente ao viver analógico. Não por nostalgia vazia, mas pelo resgate do que é visceralmente humano.
O calor que a matéria guarda

Nos ambientes que mais provocam reflexão, a pirotecnia tecnológica e a frieza do consumo descartável cedem lugar à nobreza da matéria. Vi paredes de texturas terrosas, o aroma da madeira nobre que envelhece com dignidade, a iluminação filtrada com suavidade e a presença sutil do fazer manual.
A casa volta a ser ninho. Um território de pertencimento onde os objetos possuem biografia, onde cada peça guarda as marcas do tempo e onde a imperfeição da cerâmica moldada à mão nos acolhe e nos lembra da nossa própria humanidade.
O refúgio da leitura e a conversa lenta

Em tempos de hiperconectividade, abrir um livro de arte física, sentir a textura do papel e sentar-se sem pressa para um café olho no olho é um ato de resistência poética.
O verdadeiro luxo nunca esteve no brilho fácil ou na ostentação efêmera. O luxo contemporâneo é a qualidade do tempo. É a toalha de linho limpa, o copo de vinho compartilhado, a boa conversa e a atmosfera que nos permite respirar fundo.
Da terra da garoa ao litoral de Garopaba

Curadoria Trabucco numa ambientação de uma casa em Uberlândia, Minas Gerais
Ao registrar esses movimentos e detalhes, meu pensamento viajou direto para as vigas e os vitrais do Trabucco, que ganham corpo no litoral de Santa Catarina.
O movimento que se consolida nos grandes centros confirma o nosso próprio manifesto. A decoração observada na CASACOR São Paulo 2026 conversa com a curadoria do Trabucco, que tem no seu acerto peças que transmitem aconchego, história familiar e personalidade.
O futuro pede o calor da história, o valor da permanência e a vida que pulsa fora do espelho das telas.
